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O combate ao racismo deve ser um compromisso da escola.

Publicada el: 11/08/2026

“Para negros e negras, indígenas e quilombolas, a escola é, muitas vezes, o primeiro espaço de contato com o racismo institucional. Isso impacta a permanência, a aprendizagem, as lógicas avaliativas, as formas como se constroem as relações com o outro e consigo mesmo e como os estudantes projetam o futuro.”

O trecho, presente na Carta de Apresentação do Protocolo de Identificação e Resposta ao Racismo nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, reforça uma premissa que também orienta o trabalho do Instituto Vini Jr. junto às escolas parceiras: promover uma educação antirracista no ambiente escolar é fundamental e urgente.

Nesse caminho, o letramento racial ocupa um espaço central. O Instituto atua junto a professores e estudantes por meio das Oficinas de Educação Antirracista e também disponibiliza o Manual de Educação Antirracista como ferramenta de apoio e reflexão. Fora do ambiente escolar, a atuação se amplia por meio do Escritório Antirracista, que oferece suporte jurídico a vítimas de racismo no ambiente escolar.

Para João Marcos Bigon, líder de Educação para as Relações Étnico-Raciais do Instituto Vini Jr., o protocolo representa uma importante ferramenta para fortalecer o debate e orientar a comunidade escolar diante de situações de discriminação:

“O protocolo é um guia sério, responsável e necessário, que traz situações cotidianas e convida a comunidade escolar ao debate racial, contribuindo com diretrizes que ajudam professores e alunos a identificarem o crime e saberem quais são os passos a seguir. Na prática, é uma leitura essencial para a escola, afinal, qualquer tipo de discriminação deve ser identificada e passível de julgamento”, avalia.

Especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as manifestações de racismo estão, muitas vezes, associadas às interações cotidianas e aos processos de socialização entre estudantes, como destaca o próprio Protocolo. É justamente nesse contexto que a atuação pedagógica e a construção coletiva de uma cultura antirracista ganham ainda mais relevância.

É na escola que relações são construídas, referências são apresentadas e diferentes formas de enxergar o mundo podem ser aprendidas e ressignificadas. Por isso, atuar de maneira coletiva é também uma forma de intervir na realidade e contribuir para a formação de uma nova geração comprometida com o respeito, a equidade e a valorização da diversidade.

O Protocolo apresenta situações que podem configurar manifestações de racismo no cotidiano escolar, entre elas:

  • Apelidos, comentários, imitações ou manifestações verbais que associem características físicas, como cor da pele, tipo de cabelo e traços, a sentidos depreciativos ou a imagens socialmente desvalorizadas;
  • Reprodução de falas ou ideias preconceituosas e discriminatórias, muitas vezes ouvidas em outros contextos, inclusive com associações negativas a culturas, povos ou identidades;
  • Comentários depreciativos ou discriminatórios relacionados à crença religiosa, especialmente aqueles direcionados às religiões de matrizes africana e indígena;
  • Recusa em interagir ou incluir colegas em atividades em razão da cor da pele, aparência, origem ou pertencimento cultural;
  • Exclusão de estudantes negros, indígenas e quilombolas de jogos, rodas, grupos ou momentos coletivos, incluindo recreios e intervalos.

Para João Marcos, reconhecer essas situações é um passo importante para compreender a dimensão dos impactos que elas podem provocar na trajetória dos estudantes.

“Essas formas de racismo podem impactar esse aluno por toda a vida e certamente deixam sequelas na sua forma de se relacionar com a escola e com a sociedade em geral. Por essas e outras, a educação antirracista deve ser um compromisso de todo educador”, completa.

Novas ferramentas para uma educação mais inclusiva

O compromisso do Instituto Vini Jr. com uma educação pública mais inclusiva também se traduz na construção de novas ferramentas pedagógicas. Entre as iniciativas em desenvolvimento estão uma nova edição do Manual de Educação Antirracista e um Guia de Diversidade, que serão incorporados às metodologias educacionais do Instituto.

Esses materiais se somam a documentos e referências, como o Protocolo de Identificação e Resposta ao Racismo nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, para apoiar as escolas na construção de ambientes mais inclusivos, seguros e comprometidos com a igualdade e com o enfrentamento ao racismo.

Porque uma educação verdadeiramente transformadora também precisa ser uma educação antirracista.

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